É assim que se mata o futuro
Nilda Teves o nome dela. Recebeu do então governador um depósito de menores infratores da Febem, recheou-o com o que havia de melhor. Como tinha poucos recursos, pedia. Tomava tudo de todos: computadores, papel, roupas, comida, uma kombi velha para o curso de mecânica e por aí vai. Um dia, a fiscalização entregou-lhe um carregamento de lagostas, fruto de pesca ilegal. Trocou-o com o dono de um restaurante por três computadores. Assim botou o CEI de pé e o abriu para a cidade. Reuniu a classe média e a pobreza nas mesmas salas, piscinas e quadras de esportes. Ao final de quatro anos havia crianças que se recusavam a entrar em férias. Nessa época, a "Veja Rio" dedicou uma reportagem de capa à escola com o título "Fábrica de profissões".
Com o fim do governo, Nilda retirou-se para a ap0sentadoria num pequeno apartamento, no Méier, numa transversal da rua Dias da Cruz. Certa vez me disse que ficava feliz ao ver "meus meninos no ponto de ônibus", com o uniforme que ela havia desenhado.
Conto-lhes isso porque acaba de ser destampado mais um baú de horrores do legado Garotinho. Já não há no CEI (que agora se chama Faetec) ensino técnico-profissionalizante. As oficinas de solda não têm eletrodos, a mecânica não conhece injeção eletrônica, a movelaria desapareceu, a padaria foi desmantelada. Uma dezena de salas de aulas práticas virou escombros. Instalaram-se ali cursos que oferecem a medida exata do que foram os dois últimos governos: alongamento, kickboxing e dança-do-ventre.
Alguém ainda deve lembrar dos anúncios sobre os extraordinários êxitos da administração do casal. Um deles dizia que o Rio de Janeiro era um campeão no ensino técnico, com 440 mil matrículas. Seria mesmo, não fosse o número deslavada mentira. O novo governo não encontrou nem 10% disso. A implosão do CEI de Quintino começou no primeiro mês do primeiro governo Garotinho, prosseguiu na curta administração de Benedita (que o ocupou com quadros do partido) e foi completada na segunda administração do casal.
Do ponto de vista da execução, um trabalho muito bem feito. Não restou traço da qualidade de ensino que havia ali. Não foi manobra contra partido adversário ou tranco em inimigo político, mas crime deliberado contra a sociedade. Não há maneira mais eficaz de matar o futuro do que negar a educação aos jovens.
Publicado por Xico Vargas - 16/01/07 12:01 AM

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